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Motorista da Prefeitura de Santos denuncia descaso e contratos do SAMU

11 ABR 2017
11 de Abril de 2017

Enquanto cerca de 40 motoristas da Prefeitura, ganhando em média R$ 2.800,00 mensais, ficam ociosos fazendo pequenos serviços, e diversas viaturas, quebradas por conta de falta de manutenção básica, apodrecem na garagem municipal que fica atrás da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, a Administração gasta cerca de 1,8 milhão com aluguel de oito ambulâncias para atender o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).


A informação é de um dos motoristas da Prefeitura de Santos, inconformado com a situação. Ele pediu que sua identidade fosse preservada por conta de represálias, mas, segundo revela, são dois contratos: um que abriga cinco viaturas com condutores, na ordem de R$ 1.635.000,00, perfazendo R$ 327 mil por viatura por ano (R$ 27.250,00 mensais cada uma), e outro na ordem de três carros sem condutores, no valor de R$ 169.740,00, com duração de seis meses, perfazendo R$ 56.580,00 por cada uma (R$ 9.430,00 por viatura/mês).


“Ainda existe um seguro na ordem de R$ 21.500,00. Não foram feitas as manutenções das viaturas que estão jogadas na garagem como se fossem sucatas. Elas apresentavam pequenos problemas, como câmbio, pneus gastos, sirene e giroflex queimados e outros. Será que não valia a pena consertá-las? O custo dos alugueis cobriria com folga a manutenção de todos os carros próprios abandonados”, afirma.   


O funcionário público salienta que os motoristas concursados, muitos com mais de 20 anos de Prefeitura e com treinamentos específicos para atendimento de emergência, “ficam parados aguardando um serviço ou outro. Ou seja, o Município está gastando duas vezes”, acredita.  

Insuficientes


Segundo conta, os carros disponíveis são insuficientes para atender a população de Santos. Ele revela que, antes da terceirização, a Prefeitura mantinha 10 ambulâncias somente para o SAMU – três na Zona Leste, três na Zona Noroeste e quatro no Pronto-Socorro Central.


“Quem sofre com isso é a população. Em média, o SAMU está demorando uma hore e meia para chegar na ocorrência. Os idosos e pessoas que fazem fisioterapia, que dependem de uma ambulância, também são prejudicados”, finaliza.


História recente

Os argumentos do motorista não são fantasiosos. No último sábado, no Centro de Santos, um idoso de 83 anos ficou três horas aguardando uma ambulância após passar mal e desmaiar. Ele foi socorrido por pedestres que estavam próximos ao local. As pessoas que foram socorre-lo ligaram pedindo o resgate, que não chegou. Devido à demora, os pedestres levaram o idoso de ônibus para Cubatão, onde ele reside, e o deixaram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Casqueiro.


Prefeitura

Questionada, a Prefeitura confirmou, por intermédio da Assessoria de Imprensa, que há ambulâncias da frota própria paradas por problemas mecânicos e a Secretaria de Saúde analisa quais valem ser recuperadas. Nos próximos anos, a Secretaria pretende renovar 100% da frota e manter a idade média de até cinco anos, igual ao exigido dos veículos locados.


Quanto aos motoristas, garante que não estão ociosos e os motoristas capacitados como condutores socorristas se revezam em turnos de 12 por 36 horas todos os dias (24 horas) na cobertura das cinco regiões da Cidade.

Finalizando, confirmou os dois contratos, revelando que o objetivo é ter uma frota mista com veículos próprios e locados, para que não haja interrupção no serviço de atendimento à população quando houver manutenção preventiva e corretiva dos veículos.


Em média, conforme explica, 18 veículos são disponibilizados na frota do SAMU, sendo cinco exclusivos para os chamados 192, que atende a portaria n° 1.864/2003 do Ministério da Saúde, que determina uma ambulância para cada 100 mil habitantes - e o restante para demais serviços de transporte de pacientes entre prontos-socorros, UPA’s e hospitais da região. Atualmente, 11 ambulâncias estão em operação.


Fonte: Diário do Litoral

Texto: Carlos Ratton

Fotos: Divulgação

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